Varejo de material de construção projeta alta de até 7% neste ano

O varejo de material de construção atravessou 2017 com dificuldades e chegou ao final do ano com pequenos ganhos, tendendo ao empate com 2016. Presidente da Associação do Comércio de Materiais de Construção de Minas Gerais (Acomac-MG), Paulo Machado Zica de Castro informou que, de modo geral, o setor cresceu 5% no ano passado, no comparativo com o exercício anterior, mas empresas focadas em vendas para construtoras enfrentaram maiores complicações, registrando estabilidade.

Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista e Atacadista de Material de Construção, Tintas, Ferragens e Maquinismos de Belo Horizonte e Região (Sindimaco), Júlio Gomes Ferreira, os resultados de 2017 mostraram estabilidade. Para 2018, a projeção é de crescimento entre 5% e 7%, amparado em dados macroeconômicos, como queda dos juros. Além disso, há expectativa de melhoria do setor da construção civil, que tem uma demanda reprimida devido à recessão econômica.

Castro explica que o cenário da construção civil – que impulsiona o setor – continuou patinando em 2017. E, devido a problemas de caixa, o governo não reforçou os financiamentos imobiliários e programas como o Cartão Reforma, que subsidia reformas para famílias de baixa renda. O varejo do material de construção acabou sentindo o efeito desses fatores. “Para 2018, as perspectivas são positivas, com o ano começando com juros em baixa”, diz Castro. Como vantagem, ele cita ainda a melhoria nos níveis de emprego, o que deve levar mais confiança ao consumidor.

Para Júlio Gomes Ferreira, os resultados do setor só foram mantidos em 2017 devido à queda dos juros e estabilidade da inflação. “Se não fosse isso, teríamos um resultado catastrófico”, disse.

O otimismo para o setor em 2018 é comprovado por quem está à frente das empresas. Diretor-geral da Santa Cruz Acabamentos, Ronaldo Garcia informou ontem que a empresa, na avenida Presidente Carlos Luz, na Capital, projeta crescimento de 6,5% para este ano. De acordo com Garcia, essa projeção está amparada no fato de o atual cenário econômico, com taxa Selic baixa, impulsionar o setor da construção civil. Além disso, segundo ele, normalmente, a empresa cresce cerca de 2,5 vezes o PIB.

Em 2017, a Santa Cruz registrou crescimento nominal de 5% no comparativo com 2016. Na avaliação de Garcia, 2017 foi um ano “muito difícil” e o resultado foi assegurado pelas diversas campanhas realizadas durante o período, com mix de produtos vasto e preço competitivo. A primeira aconteceu em março, logo após o carnaval; a segunda ocorreu em agosto, quando é comemorado o aniversário da Santa Cruz; e a terceira foi em novembro, com a Black Friday.

A Cerâmicas Nacionais Reunidas (CNR) apresentou estabilidade em 2017 em relação ao exercício anterior, segundo informou o diretor comercial Cristiano Lana Vasconcelos. Para 2018, a projeção é de crescimento de 5%. “Percebemos que a movimentação nas lojas já aumentou”, disse. A CNR tem seis lojas na Capital e região metropolitana.

Centro de Distribuição - Exceção no cenário adverso de 2017, a ABC da Construção cresceu 36% no ano passado no comparativo com 2016. O número de lojas se manteve. O resultado, segundo a assessoria de imprensa da rede, se deve ao modelo de gestão. O diferencial foi garantido pelo Centro de Distribuição em Juiz de Fora, na Zona da Mata. “Devido à sua automatização, permite grandes compras, repasse de um mix muito completo com preços competitivos e entrega em 48h na casa do cliente”, informou a assessoria.

A ABC da Construção tem 50 lojas, entre próprias e franquias. Dessas, nove estão na capital mineira e na região metropolitana, 37 ficam no interior de Minas e três estão no Rio Janeiro. A rede trabalha principalmente com material de acabamento. Para 2018, a projeção é de crescimento “de dois dígitos”, mas o percentual não foi informado. Há previsão de abertura de novas 10 lojas este ano.

Fonte: Diário do Comércio
Seção: Construção Civil
Publicação: 18/01/2018