Disparada do dólar abre espaço para aumento do aço

A disparada do dólar facilitou às siderúrgicas passarem reajustes de preço aos clientes nos últimos dias. O aço nacional já estava mais barato do que o importado, mesmo levando-se em conta o custo de internalizar o material, mas agora o câmbio deu a certeza de que a área comercial das produtoras precisava. A partir de 1º de junho, os aços planos - usados em automóveis, máquinas e eletrodomésticos - ficarão de 8% a 12% mais caros. No segmento de longos - consumidos pela construção -, alguns lotes podem ficar até 16% mais caros. 

O bom momento dos preços lá fora também ajuda no poder de formação de preços das siderúrgicas. Para o segmento de planos, a retomada da demanda também é um fator benéfico nesse sentido. Segundo um executivo do setor de construção, por outro lado, como há expectativa de que os lançamentos imobiliários voltem a crescer no segundo semestre, as grandes negociações de preços de aços longos com as produtoras só ocorrerão em 2019, quando o ritmo de obras deve voltar a tomar corpo. 

Na semana passada, a ArcelorMittal Tubarão anunciou aumento de 12% para laminados a quente, a frio e zincados, e de 8% para galvalumes, que é o aço revestido de zinco e alumínio, disse uma fonte. 

Com isso, a alta nesse segmento ganhou corpo. Na quarta-feira, a CSN confirmou 11,75% para bobinas a quente e a frio e 8,25% para galvanizados e folhas metálicas. O mercado fica à espera de posicionamento da Usiminas. 

Para a XP Investimentos, o anúncio é positivo para CSN e Usiminas, se esta última seguir a onda - o que costuma ocorrer. Parte do efeito benéfico já seria sentido no balanço do segundo trimestre, dado que os reajustes valerão em junho. "O preço no mercado doméstico ficaria com prêmio de 5% a 10% em relação ao material importado", diz. 

Esse foi o argumento apresentado por Luis Martinez, diretor-executivo comercial da CSN, para o reajuste. Com a desvalorização do real ante o dólar, esse "prêmio" subiria para, no máximo, 8% em bobinas e 10% em zincados, mesmo com os aumentos. 

As construtoras que atuam no mercado imobiliário também começaram a sentir pressão de reajustes para os aços longos. Parte delas ainda não foi comunicada, formalmente, da intenção das siderúrgicas, mas já há negociações em curso com uma parcela do setor e até acertos em alguns casos. Tentativas de elevação de preços são comuns em momentos de desvalorização da moeda brasileira. 

"Todas as siderúrgicas estão aumentando preços de 8% a 16%", afirma fonte de uma construtora. Outro executivo diz que o setor de construção tem sido informado de altas de 15%, e há quem tenha sido notificado de ajuste de 10% a partir de junho. As maiores fabricantes desse tipo de aço são Gerdau, ArcelorMittal Aços Longos e o grupo mexicano Simec. 

Não há um movimento homogêneo de implantação das altas. A resistência ou aceitação dos reajustes propostos depende do volume comprado, de quanto tempo a construtora é cliente da siderúrgica e de sua capacidade de pagamento. Há empresas que conseguiram evitar aumentos nesta nova rodada de negociações. Outras companhias mantiveram preços para obras já em curso, mas tiveram de acatar reajustes para projetos que ainda serão erguidos. 

A redução do ritmo de execução de obras imobiliárias decorrente da queda de lançamentos torna as conversas mais difíceis para as siderúrgicas. Se a produção estivesse a pleno vapor, o poder de negociação das construtoras seria menor. Uma fonte setorial pondera que algum grau de concessão é possível mesmo em momentos de maior atividade, devido à relação antiga com os fornecedores do insumo. 

"A leitura que temos do setor é que o ambiente macroeconômico e as incertezas políticas impactaram, negativamente, a demanda a partir de abril. Há espaço para aumentos, depois da queda do real, mas a demanda não facilita", comenta um analista. Será possível ter mais clareza do rumo do setor com os dados do Instituto Aço Brasil e do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), no início da próxima semana. 

Fonte: UOL 
Seção: Siderurgia 
Publicação: 21/05/2018