Energia e câmbio elevam custos industriais

Além da demanda insatisfatória, a indústria enfrenta novos problemas, como a alta de custos. Esta foi constatada na pesquisa Indicador de Custos Industriais, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), relativa ao segundo trimestre de 2018, que apontou uma elevação de 3,7% em relação aos custos do trimestre anterior. Embora a indústria tenha conseguido enfrentar o problema no período, é grande a probabilidade de as dificuldades ganharem corpo no semestre em curso, quando as incertezas econômicas são enormes e a contenção predomina tanto entre consumidores como entre investidores.

O aumento dos custos do segundo trimestre decorreu da pressão dos bens intermediários, que subiram 6,4% em razão da alta do dólar e das tarifas de energia (+8,5%). Estes custos foram pressionados pela evolução de 24,4% dos preços do óleo combustível. O terceiro fator de elevação de custos foi a greve dos transportadores, que provocou escassez de bens e serviços. A alta só não foi maior por causa de um fator negativo: o custo com pessoal avançou apenas 0,2%, num contexto de forte desemprego.

A indústria não se saiu de todo mal. Conseguiu repassar as altas para os consumidores, que pagaram em média 3,8% mais pelos produtos manufaturados, o que preservou a lucratividade das companhias. Os técnicos da CNI avaliam que a indústria ganhou competitividade no período. Para isso contribuiu a queda de 1,7% no índice de custo tributário e de 3,8% no índice de custo com capital de giro – neste caso, em decorrência da ligeira queda dos juros ativos cobrados dos clientes pelos bancos.

Entre os problemas à frente, o mercado de câmbio continua mostrando pressões sobre o real e, em consequência, sobre os custos dos importados. Os bens intermediários importados pela indústria subiram 15,2% no segundo trimestre, o triplo da alta de 4,9% no custo dos bens intermediários domésticos. Outro problema diz respeito ao custo da energia, que também está em alta por causa dos esquemas de subsídios cruzados no setor elétrico e das cotações do petróleo no mercado global, que elevam os custos com óleo combustível.

A preservação da lucratividade e da produtividade da indústria, itens destacados na análise da CNI, é importante para evitar que a indústria volte a se enfraquecer após a queda acentuada dos últimos anos.

Fonte: Estadão 
Seção: Economia & Indústria 
Publicação: 25/09/2018